Veneza Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 73 de 159
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Veneza

Não és a mesma, ó flor de morbidezza,

Rainha do Adriático! Brilhante

Jordão de amor, onde Mussê errante

Bebeu em ondas a lustral beleza.

Já não possuis, ó triunfal Veneza,

O teu sorriso — olímpico diamante,

Que se engastou do lordi bardo amante

Na fronte heroica de imortal grandeza.

Tua escura laguna já não sente

Da antiga serenata o som plangente,

E os soluços de amor nos teus barcos

Exalava a patrícia voluptuosa...

Resta-te apenas a canção saudosa

Das gemedoras pombas de São Marcos.

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