Veneza
Não és a mesma, ó flor de morbidezza,
Rainha do Adriático! Brilhante
Jordão de amor, onde Mussê errante
Bebeu em ondas a lustral beleza.
Já não possuis, ó triunfal Veneza,
O teu sorriso — olímpico diamante,
Que se engastou do lordi bardo amante
Na fronte heroica de imortal grandeza.
Tua escura laguna já não sente
Da antiga serenata o som plangente,
E os soluços de amor nos teus barcos
Exalava a patrícia voluptuosa...
Resta-te apenas a canção saudosa
Das gemedoras pombas de São Marcos.