Incógnita Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 135 de 159
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Incógnita

Eu vejo-a sempre no final do dia,

Quando os purpúreos flocos do ocidente

Vão descorando harmoniosamente,

Aos gemedores sons da Ave Maria.

Sua estatura de altivez sombria

Passa na vaga luz do sol poente,

Como o fantasma, a sombra penitente

Da antiga Musa solitária e fria.

Direis ao vê-la que uma aguda pena,

Que um martírio satânico e profundo

Morde-lhe as fibras d’alma e as envenena;

E ela percorre as festas deste mundo

Com a santa palidez de Madalena,

E com o olhar do Cristo moribundo.

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