Credo
— “Meus amigos! Eu creio em Deus e no destino
Que do berço nos guia ao derradeiro leito...!
(Vozes: — Basta! O orador é suspeito! é suspeito!)
— Fora o velho ideal! (grita um loiro menino).
— “Eu creio, amigos meus, nesse poder divino...
(Vozes: — Fora o jogral!)... Nesse poder eleito
Eterno como o mar, calmo como o Direito...”
(Vozes: — Não crês também no Baco purpurino?)
— “Eu creio no porvir (Ouçamos!) que há de um dia
Como um rio de luz... (Champagne e Malvasia!
Bebamos o porvir! — Todos a rir beberam).
— “... Como um rio de luz iluminar o abismo”.
(Gritos: Fora o truão! fora o torpe lirismo!)
— “Creio também nas mães”. (Todos emudeceram).