Credo Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 62 de 159
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Credo

— “Meus amigos! Eu creio em Deus e no destino

Que do berço nos guia ao derradeiro leito...!

(Vozes: — Basta! O orador é suspeito! é suspeito!)

— Fora o velho ideal! (grita um loiro menino).

— “Eu creio, amigos meus, nesse poder divino...

(Vozes: — Fora o jogral!)... Nesse poder eleito

Eterno como o mar, calmo como o Direito...”

(Vozes: — Não crês também no Baco purpurino?)

— “Eu creio no porvir (Ouçamos!) que há de um dia

Como um rio de luz... (Champagne e Malvasia!

Bebamos o porvir! — Todos a rir beberam).

— “... Como um rio de luz iluminar o abismo”.

(Gritos: Fora o truão! fora o torpe lirismo!)

— “Creio também nas mães”. (Todos emudeceram).

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