O cachimbo Moby Dick - Tradução Literunico · Capítulo 30 de 136
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O cachimbo

Quando Stubb se retirou, Ahab permaneceu por algum tempo inclinado sobre as amuradas; e então, como lhe vinha sendo habitual ultimamente, chamou um marinheiro do quarto de vigia e mandou-o buscar embaixo seu banco de marfim, e também seu cachimbo. Acendendo o cachimbo na lâmpada da bitácula e plantando o banco no lado de barlavento do convés, sentou-se e fumou.

Nos antigos tempos nórdicos, os tronos dos reis dinamarqueses amantes do mar eram fabricados, diz a tradição, com as presas do narval. Como se poderia então olhar para Ahab, sentado naquele tripé de ossos, sem lembrar a realeza que ele simbolizava? Pois um Khan das pranchas, e um rei do mar, e um grande senhor dos Leviatãs era Ahab.

Passaram-se alguns momentos, durante os quais o vapor espesso saía de sua boca em baforadas rápidas e constantes, que voltavam sopradas contra seu rosto. "Ora, ora", soliloquiou enfim, retirando o tubo, "este fumar já não acalma. Oh, meu cachimbo! dura deve estar a coisa comigo se teu encanto se foi! Aqui estive eu inconscientemente labutando, não desfrutando - sim, e fumando ignorantemente contra o vento o tempo todo; contra o vento, e com tragos tão nervosos, como se, qual baleia moribunda, meus jatos finais fossem os mais fortes e mais cheios de pérturbação. Que tenho eu a ver com este cachimbo? Esta coisa feita para serenidade, para erguer vapores brancos e suaves entre cabelos brancos e suaves, não entre madeixas rasgadas, grisalhas de ferro, como as minhas. Não fumarei mais..."

Atirou ao mar o cachimbo ainda aceso. O fogo chiou nas ondas; no mesmo instante o navio passou veloz pela bolha que o cachimbo afundando fez. De chapéu caído, Ahab caminhou cambaleante pelas pranchas.

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