Universo da obra
Universo da obra
Agora riem de mim homens mais jovens que eu, filhos de gente cujos pais eu teria recusado colocar junto aos cães do meu rebanho.
De que me serviria a força de suas mãos, se neles já havia perecido o vigor?
Pela falta e pela fome ficavam mirrados; roíam a terra seca, em lugar escuro, devastado e desolado.
Colhiam malvas junto aos arbustos, e raízes de zimbro eram sua comida.
Eram expulsos do meio do povo; gritavam contra eles como contra ladrões.
Moravam nas ravinas dos vales, em cavernas da terra e das rochas.
Entre os arbustos zurravam; juntavam-se debaixo das urtigas.
Eram filhos de insensatos, gente sem nome, enxotada da terra.
Agora sou sua canção; tornei-me provérbio para eles.
Eles me detestam, afastam-se de mim e cospem sem reserva diante do meu rosto.
Porque Deus afrouxou minha corda e me humilhou; eles também largaram o freio diante de mim.
À minha direita se levanta a ralé; empurram meus pés e erguem contra mim seus caminhos de destruição.
Desfazem minha vereda, promovem minha queda; ninguém os impede.
Entram por larga brecha; avançam por entre ruínas.
Terrores se voltam contra mim; perseguem minha honra como vento, e minha salvação passa como nuvem.
Agora minha alma se derrama dentro de mim; dias de aflição me agarram.
À noite meus ossos são perfurados em mim, e as dores que me roem descansam.
Pela grande força, minha roupa se desfigura; aperta-me como a gola da túnica.
Deus me lançou na lama, e me tornei semelhante ao pó e à cinza.
Clamo a ti, e tu não me respondes; fico de pé, e apenas olhas para mim.
Tu te tornaste cruel comigo; com a força da tua mão me atacas.
Levantas-me ao vento, fazes-me cavalgar sobre ele e me dissolves na tempestade.
Pois sei que me levarás à morte, à casa destinada a todo vivente.
Acaso ninguém estende a mão ao arruinado, quando ele clama em sua calamidade?
Por acaso eu não chorei pelo que tinha dias difíceis? Minha alma não se afligiu pelo necessitado?
Quando eu esperava o bem, veio o mal; quando aguardava a luz, veio a escuridão.
Minhas entranhas fervem sem descanso; dias de aflição vêm ao meu encontro.
Ando escurecido, sem calor do sol; levanto-me na assembleia e clamo.
Tornei-me irmão dos chacais e companheiro das avestruzes.
Minha pele escurece e cai de mim; meus ossos queimam de febre.
Minha harpa se tornou pranto, e minha flauta, voz dos que choram.
Versão completa em 1.162 capítulos, de Gênesis a Apocalipse.
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