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Capítulo 1018 · A Bíblia Sagrada

Atos 27

1018 de 1162 ≈ 5 min de leitura

Quando foi decidido que navegaríamos para a Itália, entregaram Paulo e alguns outros presos a um centurião chamado Júlio, da coorte Augusta.

Embarcamos num navio de Adramítio, que partiria para lugares da costa da Ásia, e seguimos viagem. Aristarco, macedônio de Tessalônica, estava conosco.

No dia seguinte, chegamos a Sidom. Júlio tratou Paulo com humanidade e permitiu que ele fosse aos amigos receber cuidados.

Partindo dali, navegamos ao abrigo de Chipre, porque os ventos eram contrários.

Passamos pelo mar diante da Cilícia e da Panfília e chegamos a Mira, na Lícia.

Ali o centurião encontrou um navio de Alexandria que seguia para a Itália e nos pôs a bordo.

Durante muitos dias navegamos devagar e chegamos com dificuldade diante de Cnido. O vento não nos deixava avançar; seguimos então ao abrigo de Creta, diante de Salmone.

Costeando com dificuldade, chegamos a um lugar chamado Bons Portos, perto da cidade de Laseia.

Muito tempo tinha passado, e a navegação já se tornava perigosa, pois o jejum já havia passado. Paulo os advertia,

dizendo: Homens, vejo que a viagem será com dano e grande perda da carga, do navio e de nossas vidas.

O centurião deu mais crédito ao piloto e ao dono do navio do que às palavras de Paulo.

Como o porto era inadequado para passar o inverno, a maioria decidiu partir dali, tentando alcançar Fenice, porto de Creta voltado para o sudoeste e para o noroeste, a fim de passar ali o inverno.

Soprando brandamente o vento sul, pensaram ter alcançado o que desejavam. Levantaram âncora e foram costeando Creta de perto.

Pouco depois, lançou-se contra a ilha um vento tempestuoso chamado Euroaquilão.

O navio foi arrastado, sem poder resistir ao vento; cedemos e fomos levados.

Correndo ao abrigo de uma pequena ilha chamada Cauda, mal conseguimos recolher o bote.

Depois de içá-lo, usaram reforços para cingir o navio. Temendo cair na Sirte, baixaram os aparelhos e deixaram-se levar.

Como éramos violentamente açoitados pela tempestade, no dia seguinte começaram a lançar fora a carga.

No terceiro dia, com as próprias mãos, lançaram fora os equipamentos do navio.

Por muitos dias não apareceram sol nem estrelas, e forte tempestade nos cercava. Toda esperança de salvamento ia desaparecendo.

Após longa falta de alimento, Paulo pôs-se de pé no meio deles e disse: Homens, devíeis ter-me ouvido e não partido de Creta, evitando este dano e esta perda.

Agora vos aconselho a ter bom ânimo, pois nenhuma vida se perderá entre vós, somente o navio.

Nesta noite, esteve comigo um anjo do Deus a quem pertenço e a quem sirvo,

dizendo: Não temas, Paulo. É necessário que compareças diante de César, e Deus te concedeu todos os que navegam contigo.

Portanto, homens, tende bom ânimo, pois creio em Deus que sucederá assim como me foi dito.

É necessário que sejamos lançados em alguma ilha.

Na décima quarta noite, sendo nós levados pelo Adriático, por volta da meia-noite os marinheiros pressentiram que se aproximavam de alguma terra.

Lançaram a sonda e acharam vinte braças; pouco adiante, lançaram de novo e acharam quinze.

Temendo que fôssemos lançados contra rochedos, soltaram quatro âncoras da popa e desejavam que o dia chegasse.

Os marinheiros tentavam fugir do navio. Baixaram o bote ao mar, com pretexto de lançar âncoras da proa.

Paulo disse ao centurião e aos soldados: Se estes não permanecerem no navio, vós não podereis salvar-vos.

Então os soldados cortaram as cordas do bote e o deixaram cair.

Enquanto o dia se aproximava, Paulo rogava a todos que comessem, dizendo: Hoje é o décimo quarto dia em que esperais em jejum, sem tomar alimento.

Por isso vos peço que comais, pois isso é necessário para a vossa conservação. Nem um fio de cabelo cairá da cabeça de qualquer de vós.

Depois de dizer isso, tomou pão, deu graças a Deus diante de todos, partiu-o e começou a comer.

Todos ganharam ânimo e também se alimentaram.

No navio éramos duzentas e setenta e seis pessoas.

Satisfeitos com a comida, aliviaram o navio, lançando o trigo ao mar.

Quando amanheceu, não reconheceram a terra, mas viram uma enseada com praia e decidiram lançar ali o navio, se pudessem.

Cortaram as âncoras e as deixaram no mar. Ao mesmo tempo, soltaram as amarras dos lemes, içaram a vela da frente ao vento e seguiram para a praia.

Deram em um banco de areia entre duas águas e encalharam o navio. A proa ficou presa e imóvel; a popa se desfazia pela força das ondas.

Os soldados queriam matar os presos, para que nenhum escapasse a nado.

O centurião, querendo salvar Paulo, impediu-lhes esse plano. Ordenou que os que sabiam nadar se lançassem primeiro ao mar e alcançassem a terra.

Os demais deveriam seguir em tábuas ou em pedaços do navio. Assim todos chegaram salvos à terra.

A Bíblia Sagrada

Sinopse

Versão completa em 1.162 capítulos, de Gênesis a Apocalipse.

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