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Capítulo 827 · A Bíblia Sagrada

Daniel 4

827 de 1162 ≈ 6 min de leitura

Nabucodonosor, rei, a todos os povos, nações e línguas que habitam em toda a terra: Paz lhes seja multiplicada.

Pareceu-me bom declarar os sinais e maravilhas que o Deus Altíssimo fez comigo.

Quão grandes são os seus sinais, e quão poderosas as suas maravilhas. O seu reino é reino eterno, e o seu domínio passa de geração em geração.

Eu, Nabucodonosor, estava tranquilo em minha casa e próspero em meu palácio.

Tive um sonho que me assustou. Os pensamentos em meu leito e as visões da minha cabeça me perturbaram.

Por isso dei ordem para que todos os sábios da Babilônia fossem trazidos à minha presença, para que me declarassem a interpretação do sonho.

Vieram os magos, os encantadores, os caldeus e os adivinhos. Contei-lhes o sonho, e eles não me deram a interpretação.

Por fim veio Daniel à minha presença, aquele cujo nome é Beltessazar, segundo o nome do meu deus, e em quem há espírito dos santos deuses. Contei-lhe o sonho:

Beltessazar, chefe dos magos, sei que há em ti espírito dos santos deuses e que nenhum mistério te perturba. Dize-me as visões do sonho que tive e a sua interpretação.

As visões da minha cabeça em meu leito foram estas: Eu olhava, e eis uma árvore no meio da terra. Sua altura era grande.

A árvore cresceu e se tornou forte. Seu topo chegava ao céu, e ela era vista até as extremidades de toda a terra.

Suas folhas eram belas, seu fruto era abundante, e nela havia alimento para todos. Debaixo dela os animais do campo achavam sombra, em seus ramos as aves do céu faziam morada, e dela se alimentava toda carne.

Eu via nas visões da minha cabeça em meu leito, e eis que um vigilante, um santo, desceu do céu.

Ele clamou com força e disse: Derrubem a árvore, cortem seus ramos, arranquem suas folhas e espalhem seu fruto. Fujam os animais de debaixo dela, e as aves, dos seus ramos.

Deixem na terra o tronco com suas raízes, preso com cinta de ferro e de bronze, entre a erva do campo. Seja molhado pelo orvalho do céu, e sua porção seja com os animais, entre a erva da terra.

Seja mudado o seu coração de homem, e seja-lhe dado coração de animal. Sete tempos passem sobre ele.

Esta sentença vem pelo decreto dos vigilantes, e esta ordem, pela palavra dos santos, para que os viventes saibam que o Altíssimo domina sobre o reino dos homens. Ele o dá a quem quer e põe sobre ele o mais humilde dos homens.

Este sonho eu, rei Nabucodonosor, tive. Tu, Beltessazar, dize a interpretação, pois todos os sábios do meu reino não conseguiram revelá-la. Tu podes, porque em ti há espírito dos santos deuses.

Então Daniel, cujo nome era Beltessazar, ficou atônito por algum tempo, e seus pensamentos o perturbavam. O rei disse: Beltessazar, o sonho e a interpretação não te perturbem. Beltessazar respondeu: Meu senhor, seja o sonho para os que te odeiam, e a sua interpretação para os teus inimigos.

A árvore que viste, que cresceu e se tornou forte, cujo topo chegava ao céu e que era vista por toda a terra,

cujas folhas eram belas e cujo fruto era abundante, na qual havia alimento para todos, debaixo da qual os animais do campo habitavam e em cujos ramos as aves do céu faziam morada,

essa árvore és tu, ó rei, que cresceste e te tornaste forte. A tua grandeza cresceu e chegou ao céu, e o teu domínio, até as extremidades da terra.

Quanto ao vigilante, o santo, que o rei viu descendo do céu e dizendo: Derrubem a árvore e destruam-na, deixando na terra o tronco com suas raízes, preso com cinta de ferro e de bronze, entre a erva do campo, para ser molhado pelo orvalho do céu, e para que sua porção seja com os animais do campo até que passem sete tempos sobre ele,

esta é a interpretação, ó rei, e este é o decreto do Altíssimo, que veio sobre meu senhor, o rei:

Serás expulso do meio dos homens, e a tua morada será com os animais do campo. Farão que comas erva assim como os bois, e serás molhado pelo orvalho do céu. Sete tempos passarão sobre ti, até que reconheças que o Altíssimo domina sobre o reino dos homens e o dá a quem quer.

Quanto à ordem de deixarem o tronco com as raízes da árvore, o teu reino será preservado para ti, depois que reconheceres que os céus governam.

Portanto, ó rei, aceita o meu conselho: rompe com teus pecados pela justiça, e com tuas iniquidades usando misericórdia para com os pobres. Talvez se prolongue a tua tranquilidade.

Tudo isso veio sobre o rei Nabucodonosor.

Ao fim de doze meses, ele passeava sobre o palácio real da Babilônia.

O rei falou e disse: Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para casa real, pela força do meu poder e para glória da minha majestade?

A palavra ainda estava na boca do rei, quando desceu uma voz do céu: A ti se diz, rei Nabucodonosor: O reino passou de ti.

Serás expulso do meio dos homens, e a tua morada será com os animais do campo. Farão que comas erva assim como os bois. Sete tempos passarão sobre ti, até que reconheças que o Altíssimo domina sobre o reino dos homens e o dá a quem quer.

Na mesma hora se cumpriu a palavra sobre Nabucodonosor. Foi expulso do meio dos homens, comeu erva assim como os bois, e seu corpo foi molhado pelo orvalho do céu, até que seus cabelos cresceram como penas de águia, e suas unhas, como garras de ave.

Ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei meus olhos ao céu, e o meu entendimento voltou a mim. Bendisse o Altíssimo, louvei e glorifiquei aquele que vive para sempre. Seu domínio é domínio eterno, e seu reino passa de geração em geração.

Todos os moradores da terra são contados como nada. Ele age segundo a sua vontade com o exército do céu e com os moradores da terra. Não há quem detenha a sua mão, nem quem lhe diga: Que fazes?

Naquele tempo voltou a mim o meu entendimento. Para a glória do meu reino, voltaram a mim a minha majestade e o meu esplendor. Meus conselheiros e nobres me procuraram, fui restabelecido no meu reino, e excelente grandeza me foi acrescentada.

Agora eu, Nabucodonosor, louvo, exalto e glorifico o Rei dos céus, porque todas as suas obras são verdadeiras, e os seus caminhos são justiça. Ele pode humilhar os que andam em soberba.

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Sinopse

Versão completa em 1.162 capítulos, de Gênesis a Apocalipse.

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