Primeira parte - Capítulo VI
Em que se declara a costa do Rio do Maranhão até o Rio Grande.
Atrás fica dito como a ponta de sueste do Rio do Maranhão,
que se chama esparcelada, está em dois graus e 3/4. Desta ponta
à Baía dos Santos são treze léguas, a qual está na mesma altura, e
esta baía é muito suja e tem alguns ilhéus; mas também entram
nela muitos navios da costa, onde têm surgidouro e boa abrigada
e maneira para se fazer aguada nela. Desta Baía dos Santos ao Rio
de João de Lisboa são quatro léguas, o qual está na mesma altura,
onde também entram caravelões, por terem nele grande abrigada.
Do Rio de João de Lisboa à Baía dos Reis são nove léguas, a qual está
em dois graus. Nesta baía estão algumas ilhas alagadas da maré
de águas vivas por entre as quais entram caravelões e surgem à
vontade. Desta baía ao Rio do Meio são 17 léguas, o qual está na
mesma altura de dois graus, onde também entram caravelões.
Entre este e a Baía dos Reis entra outro rio que se chama do Parcel,
onde também os navios da costa têm boa colheita. Deste Rio do
Meio à Baía do Ano Bom são 11 léguas, a qual costa está na mesma
altura de dois graus, onde entram navios da costa e têm muito
boa colheita, a qual baía tem um grande baixo. No meio e dentro
dela se vêm meter no mar o Rio Grande dos tapuias, e se navega
um grande espaço pela terra adentro e vem de muito longe; o qual
se chama dos tapuias por eles virem por ele abaixo em canoas a
mariscar ao mar desta baía, da qual à Baía da Coroa são 10 léguas;
e está na mesma altura onde entram e surgem caravelões da costa.
Da Baía da Coroa até o Rio Grande são três léguas, onde começaremos o capítulo que segue. E corre-se a costa até aqui leste-oeste.