Segunda parte - Capítulo XCII Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 167 de 271
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Segunda parte - Capítulo XCII

Que trata das vespas e moscas.

Criam-se na Bahia muitas vespas, que mordem muito; em especial umas, a que chamam os índios teringoá, que se criam em

ramos de árvores poucas juntas, e cobrem-se com uma capa que

parece teia de aranha, de onde fazem seu ofício em sentindo gente.

Amisagoa é outra casta de vespas, que são à maneira de moscas,

que se criam em um ninho, que fazem nas paredes, e nas barreiras

da terra, tamanhos como uma castanha, com um olho no meio,

por onde entram, o qual ninho é de barro, e elas mordem a quem

lhes vai bulir nele.

E porque as moscas se não queixem, convém que digamos de

sua pouca virtude; e comecemos nas que se chamam mutuca, que

são as moscas gerais e enfadonhas que há na Espanha; as quais

adivinham a chuva, começando a morder onde chegam, de maneira que, se se sente sua picada, é que há boa novidade.

Há outra casta de moscas, a que os índios chamam muruanha

que são mais miúdas que as de cima, e azuladas; estas seguem

sempre os cães e comem-lhes as orelhas; e se tocam em chaga ou

sangue, logo lançam varejas.

Merus são outras moscas grandes e azuladas que mordem

muito onde chegam, tanto que por cima de rede passam o gibão

a quem está lançado nela, e logo fazem arrebentar o sangue pela

mordedura; aconteceu muitas vezes porem elas varejas a homens

que estavam dormindo, nas orelhas, nas ventas e no céu da boca, e

lavrarem de feição por dentro as varejas, sem se saber o que eram,

que morreram alguns disso.

Também há outras como as de cavalo, mas menores e muito

negras, que também mordem onde chegam.

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