Segunda parte - Capítulo CXXXII Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 207 de 271
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Segunda parte - Capítulo CXXXII

Em que se trata dos peixes de couro que há na Bahia.

Panapaná é uma casta de cações que em tudo o parecem, se não

quando têm na ponta do focinho uma roda de meio compasso, de

palmo e meio e de dois palmos, o qual peixe tem grandes fígados

como tubarões; e os grandes tomam-se com anzóis de candeia, e

os pequenos à linha ou em redes, de mistura com o outro peixe;

comem-se os grandes secos, em tassalhos, e os pequenos frescos, e

são muito gostosos e leves, frescos e secos.

Aos cações chamam os índios socuri, do que há muitos na

Bahia, que se tomam à linha e com redes; e os pequenos são mui

leves e saborosos, e uns e outros não têm na feição nenhuma diferença dos que andam na Espanha.

Há outro peixe, a que os índios chamam curis e os portugueses

bagres; têm o couro prateado, sem escama, tomam-se à linha, têm

a cabeça como enxarrroco, mas muito dura; e tem o miolo dela

duas pedrinhas brancas muito lindas; este peixe se toma em todo

o ano, e é muito leve e gostoso.

Há outra casta de bagres, que têm a mesma feição, mas têm

o couro amarelo, a que os índios chamam urutus, que também

morrem em todo o ano à linha, da boca dos rios para dentro até

onde chega a maré, cujas peles se pegam muito nos dedos; e não

são tão saborosos como os bagres brancos.

Chamam os índios às moreias caramuru, das quais há muitas,

mui grandes e mui pintadas como as da Espanha, as quais mordem muito, e têm muitas espinhas, e são muito gordas e saborosas; não as há senão junto das pedras, onde as tomam às mãos.

Arraias há na Bahia muitas, as quais chamam os índios jabupirá e são de muitas castas como as de Lisboa; e morrem à linha e em

redes; há umas muito grandes e outras pequenas que são muito

saborosas e sadias.

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