Primeira parte - Capítulo LVI
Em que se conclui com o Rio de Janeiro com a tornada de Salvador
Correia a ele.
Vendo El-Rei D. Sebastião, que haja glória, o pouco de que lhe
servira dividir o Estado do Brasil em duas governanças, assentou
de o tornar a ajuntar, como dantes andava, e o de mandar por capitão e governador ao Rio de Janeiro somente a Salvador Correia
de Sá, e que viessem as apelações à Bahia, como dantes era; onde o
dito Salvador Correia foi e está hoje em dia, onde tem feito muitos
serviços a S. Majestade, do modo como procede na governança e
defensão desta cidade, e no fazer da guerra ao gentio, de que tem
alcançado grandes vitórias, e também serviu a S. Majestade em
pelejar com três naus francesas, que queriam entrar pela barra
do Rio de Janeiro, o que lhe defendeu às bombardadas, e não quis
consentir que comunicassem com a gente da terra, por se dizer
trazerem cartas do senhor D. Antônio. E foi esta cidade em tanto
crescimento em seu tempo, que pela engrandecer ordenou de
fazer um engenho de açúcar na sua ilha, que faz muito açúcar; e
favoreceu a Cristóvão de Barros para mandar fazer outro, que também está moente e corrente, com os quais esta cidade está muito
avante, e com um formoso colégio dos padres da Companhia,
cujas obras Salvador Correia ajudou e favoreceu muito. Neste Rio
de Janeiro se podem fazer muitos engenhos por ter terras e águas
para isso, no qual se dão as vacas muito bem, e todo o gado de
Espanha; onde se dá trigo, cevada, vinho, marmelos, romãs, figos
e todas as frutas de espinho; e muito farto de pescado e marisco,
e de todos os mantimentos que se dão na costa do Brasil; onde há
muito pau do Brasil, e muito bom.