Primeira parte - Capítulo LVI Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 57 de 271
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Primeira parte - Capítulo LVI

Em que se conclui com o Rio de Janeiro com a tornada de Salvador

Correia a ele.

Vendo El-Rei D. Sebastião, que haja glória, o pouco de que lhe

servira dividir o Estado do Brasil em duas governanças, assentou

de o tornar a ajuntar, como dantes andava, e o de mandar por capitão e governador ao Rio de Janeiro somente a Salvador Correia

de Sá, e que viessem as apelações à Bahia, como dantes era; onde o

dito Salvador Correia foi e está hoje em dia, onde tem feito muitos

serviços a S. Majestade, do modo como procede na governança e

defensão desta cidade, e no fazer da guerra ao gentio, de que tem

alcançado grandes vitórias, e também serviu a S. Majestade em

pelejar com três naus francesas, que queriam entrar pela barra

do Rio de Janeiro, o que lhe defendeu às bombardadas, e não quis

consentir que comunicassem com a gente da terra, por se dizer

trazerem cartas do senhor D. Antônio. E foi esta cidade em tanto

crescimento em seu tempo, que pela engrandecer ordenou de

fazer um engenho de açúcar na sua ilha, que faz muito açúcar; e

favoreceu a Cristóvão de Barros para mandar fazer outro, que também está moente e corrente, com os quais esta cidade está muito

avante, e com um formoso colégio dos padres da Companhia,

cujas obras Salvador Correia ajudou e favoreceu muito. Neste Rio

de Janeiro se podem fazer muitos engenhos por ter terras e águas

para isso, no qual se dão as vacas muito bem, e todo o gado de

Espanha; onde se dá trigo, cevada, vinho, marmelos, romãs, figos

e todas as frutas de espinho; e muito farto de pescado e marisco,

e de todos os mantimentos que se dão na costa do Brasil; onde há

muito pau do Brasil, e muito bom.

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