Segunda parte - Capítulo LIII Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 128 de 271
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Segunda parte - Capítulo LIII

Que trata da árvore dos umbus, que se dá pelo sertão da Bahia.

Umbu é uma árvore pouco alegre à vista, áspera da madeira,

e com espinhos como romeira, e do seu tamanho, a qual tem a

folha miúda. Dá esta árvore umas flores brancas, e o fruto, do

mesmo nome, do tamanho e feição das ameixas brandas, e tem

a mesma cor e sabor, e o caroço maior. Dá-se esta fruta ordinariamente pelo sertão, no mato que se chama a caatinga, que está pelo

menos afastado vinte léguas do mar, que é terra seca, de pouca

água, onde a natureza criou a estas árvores para remédio da sede

que os índios por ali passam. Esta árvore lança das raízes naturais

outras raízes tamanhas e da feição das botijas, outras maiores e

menores, redondas e compridas como batatas, e acham-se algumas afastadas da árvore cinquenta e sessenta passos, e outras mais

ao perto. E para o gentio saber onde estas raízes estão, anda batendo com um pau pelo chão, por cujo tom o conhece, onde cava

e tira as raízes de três e quatro palmos de alto, e outras se acham

à flor da terra, às quais se tira uma casca parda que tem, como a

dos inhames, e ficam alvíssimas e brandas como maçãs de coco;

cujo sabor é mui doce, e tão sumarento que se desfaz na boca tudo

em água frigidíssima e mui desencalmada; com o que a gente que

anda pelo sertão mata a sede onde não acha água para beber, e

mata a fome comendo esta raiz, que é mui sadia, e não fez nunca

mal a ninguém que comesse muito dela. Destas árvores há já algumas nas fazendas dos portugueses, que nasceram dos caroços dos

umbus, onde dão o mesmo fruto e raízes.

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