Segunda parte - Capítulo XI Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 86 de 271
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Segunda parte - Capítulo XI

Em que se declara como corre a cidade da praça para a banda do sul.

Tornados à praça pondo o rosto no sul, corre outra rua muito

formosa de moradores, no cabo da qual está uma ermida de Santa

Luzia, onde está uma estância com artilharia. E ao longo dessa

rua lhe fica muito bem assentada, também toda povoada de lojas

de mercadores, e no topo dela está uma formosa igreja de Nossa

Senhora da Ajuda com sua capela de abóbada; no qual sítio, no

princípio desta cidade, esteve a Sé.

Passando mais avante com o rosto ao sul, no outro arrebalde

da cidade, em um alto e campo largo, está situado um mosteiro de

São Bento, com sua claustra, e largas oficinas, e seus dormitórios,

onde se agasalham vinte religiosos que naquele mosteiro há, os

quais têm sua cerca e horta com uma ribeira de água, que lhe nasce dentro, que é a que rodeia toda a cidade, como fica atrás dito.

Esse mosteiro de São Bento é muito pobre, o qual se mantém de

esmolas que pedem os frades pelas fazendas dos moradores, e não

tem nenhuma renda de Sua Majestade, em quem será bem empregada, pelas necessidades que tem, cujos religiosos vivem santa e

honesta vida, dando de si grande exemplo, e estão benquistos e

mui bem recebidos do povo, os quais haverá três anos que foram

a esta cidade, com licença de Sua Majestade fundar este mosteiro,

que lhes os moradores dela fizeram à sua custa, com grande fervor

e alvoroço.

E não se faz aqui particular menção das outras ruas da cidade,

porque são muitas, e fora nunca acabar querê-las particularizar.

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