Segunda parte - Capítulo XI
Em que se declara como corre a cidade da praça para a banda do sul.
Tornados à praça pondo o rosto no sul, corre outra rua muito
formosa de moradores, no cabo da qual está uma ermida de Santa
Luzia, onde está uma estância com artilharia. E ao longo dessa
rua lhe fica muito bem assentada, também toda povoada de lojas
de mercadores, e no topo dela está uma formosa igreja de Nossa
Senhora da Ajuda com sua capela de abóbada; no qual sítio, no
princípio desta cidade, esteve a Sé.
Passando mais avante com o rosto ao sul, no outro arrebalde
da cidade, em um alto e campo largo, está situado um mosteiro de
São Bento, com sua claustra, e largas oficinas, e seus dormitórios,
onde se agasalham vinte religiosos que naquele mosteiro há, os
quais têm sua cerca e horta com uma ribeira de água, que lhe nasce dentro, que é a que rodeia toda a cidade, como fica atrás dito.
Esse mosteiro de São Bento é muito pobre, o qual se mantém de
esmolas que pedem os frades pelas fazendas dos moradores, e não
tem nenhuma renda de Sua Majestade, em quem será bem empregada, pelas necessidades que tem, cujos religiosos vivem santa e
honesta vida, dando de si grande exemplo, e estão benquistos e
mui bem recebidos do povo, os quais haverá três anos que foram
a esta cidade, com licença de Sua Majestade fundar este mosteiro,
que lhes os moradores dela fizeram à sua custa, com grande fervor
e alvoroço.
E não se faz aqui particular menção das outras ruas da cidade,
porque são muitas, e fora nunca acabar querê-las particularizar.