Segunda parte - Capítulo CXXXV
Que trata de algumas castas de peixe medicinal. Jaguaraçá é um peixe que morre à linha, tamanho como cachuchos, e tem a cor de peixe-cabra e feição de salmonete; tem os
fígados vermelhos como lacre; a carne deste peixe é muito tesa,
muito saborosa; e são tão leves que se dão aos doentes.
Tornam-se na Bahia outros peixes que são pontualmente na
feição, na cor, no sabor os salmonetes da Espanha, os quais morrem à linha junto das pedras; e são tão leves que se dão aos doentes. Piraçaquém é um peixe da feição dos safios de Portugal, o qual
não tem escama; morre à linha em todo o ano; é peixe saboroso, e
muito leve para doentes.
Bodiães são uns peixes de linha, que se dão na costa das Ilhas,
dos quais há muitos na Bahia; é peixe mole, mas muito gostoso e
leve.
Tucupás são uns peixes pequenos e largos como choupas, que
morrem à linha; e quando é gordo é muito saboroso. Estes peixes
nascem no inverno com água do monte; no céu da boca têm uns
carrapatos, que lhes comem todo o céu da boca, os quais lhes morrem no verão, em que lhes torna a encourar a chaga que lhes os
bichos fazem; este peixe se dá aos doentes.
Guaibiquatis são uns peixes azulados pequenos, que se tomam
à cana, nas pedras, que são em todo o ano muito gordos e saborosos, e leves para doentes; e outros muitos peixes há, muito medicinais para doentes, e de muita substância, que por não enfadar
não digo deles.