Segunda parte - Capítulo CXXXV Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 210 de 271
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Segunda parte - Capítulo CXXXV

Que trata de algumas castas de peixe medicinal. Jaguaraçá é um peixe que morre à linha, tamanho como cachuchos, e tem a cor de peixe-cabra e feição de salmonete; tem os

fígados vermelhos como lacre; a carne deste peixe é muito tesa,

muito saborosa; e são tão leves que se dão aos doentes.

Tornam-se na Bahia outros peixes que são pontualmente na

feição, na cor, no sabor os salmonetes da Espanha, os quais morrem à linha junto das pedras; e são tão leves que se dão aos doentes. Piraçaquém é um peixe da feição dos safios de Portugal, o qual

não tem escama; morre à linha em todo o ano; é peixe saboroso, e

muito leve para doentes.

Bodiães são uns peixes de linha, que se dão na costa das Ilhas,

dos quais há muitos na Bahia; é peixe mole, mas muito gostoso e

leve.

Tucupás são uns peixes pequenos e largos como choupas, que

morrem à linha; e quando é gordo é muito saboroso. Estes peixes

nascem no inverno com água do monte; no céu da boca têm uns

carrapatos, que lhes comem todo o céu da boca, os quais lhes morrem no verão, em que lhes torna a encourar a chaga que lhes os

bichos fazem; este peixe se dá aos doentes.

Guaibiquatis são uns peixes azulados pequenos, que se tomam

à cana, nas pedras, que são em todo o ano muito gordos e saborosos, e leves para doentes; e outros muitos peixes há, muito medicinais para doentes, e de muita substância, que por não enfadar

não digo deles.

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