Segunda parte - Capítulo CV Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 180 de 271
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Segunda parte - Capítulo CV

Que trata da diversidade dos ratos que se comem, e coelhos e outros

ratos de casa.

Pelo sertão há uns bichos a que os índios chamam saviá e são

tamanhos como láparos; têm o rabo comprido, o cabelo como

lebre; criam em covas no chão; mantêm-se das frutas silvestres;

tomam-nos em armadilhas cuja carne é muito estimada de toda

pessoa, por ser muito saborosa, e parece-se com a dos coelhos.

Aperiás são outros bichos tamanhos como láparos, que não

têm rabo; e têm o rosto da feição do leitão, as orelhas como coelho, e o cabelo como lebre; criam em covas, comem frutas e canas-

-de-açúcar, a que fazem muito dano, cuja carne é muito saborosa.

Mais pela terra adentro, há outros bichos da feição de ratos, mas

tamanhos como coelhos, com o cabelo branco, a que os índios

chamam saviá-tinga, os quais criam em covas, e comem frutas;

cuja carne é muito boa, sadia e saborosa.

No mesmo sertão há outros bichos, da feição de ratos, tamanhos como coelhos, a que os índios chamam saviá-coca, que têm

o cabelo vermelho, criam em covas, e mantêm-se da fruta do

mato; cuja carne é como de coelhos.

Em toda a parte dos matos da Bahia se criam coelhos como

os da Espanha, mas não são tamanhos, a que os índios chamam

tapotim; e todas as feições têm de coelhos, senão o rabo, porque o

não têm; os quais criam em covas, e as fêmeas parem muito; cuja

carne é como a dos coelhos, e muito saborosa.

Em algumas partes dos matos da Bahia se criam uns bichos,

sobre o grande, com todas as feições e parecer de ratos, a que os

gentios chamam jupati, que não se comem, os quais criam em

troncos das árvores velhas; e as fêmeas têm um bolso na barriga,

em que trazem sete e oito filhos, até que são criados, que tanto

parem.

Aos ratos das casas chamam os índios saviá, onde se criam infinidade deles, os quais são muito daninhos, e de dia andam pelo

mato, e de noite vêm-se meter nas casas.

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