Primeira parte - Capítulo XVII
Em que se declara a terra e costa que há do porto de Olinda até o
Cabo de Santo Agostinho.
Do porto de Olinda à ponta de Pero Cavarim são quatro léguas.
Da ponta de Pero Cavarim ao Rio de Jaboatão é uma légua, na qual
entram barcos. Do Rio de Jaboatão ao Cabo de Santo Agostinho
são quatro léguas, o qual cabo está em oito graus e meio. Ao socairo deste cabo da banda do norte podem surgir naus grandes quando cumprir, onde têm boa abrigada. Do Cabo até Pernambuco
corre-se a costa norte-sul.
Quem vem do mar em fora, para conhecer este Cabo de Santo
Agostinho, verá por cima dele uma serra selada, que é boa conhecença, porque por aquela parte não há outra serra da sua altura
e feição, a qual está quase leste oeste com o Cabo, e toma uma
quarta de nordeste-sudoeste. E para que vem ao longo da costa
bota o Cabo fora com pouco mato e em manchas; e ver-lhe-ão que
tem a banda do sul, cinco léguas afastado dele, a Ilha de Santo
Aleixo, que é baixa e pequena. Até este Cabo é a terra povoada de
engenhos de açúcar, e por junto dele passa um rio que se diz do
Cabo (onde também estão alguns), o qual sai ao mar duas léguas
do Cabo e mistura-se ao entrar do salgado com o Rio do Ipojuca,
que está duas léguas da banda do sul; nesse rio entram e saem
caravelões do serviço dos engenhos, que estão nos mesmos rios,
onde se recolhem com tempo barcos da costa.