Segunda parte - Capítulo LXIV Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 139 de 271
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Segunda parte - Capítulo LXIV

Daqui por diante se vai dizendo das árvores reais e o para que servem começando neste capítulo 64, que trata do vinhático e cedro.

Como temos dito das árvores de fruto, e das que têm virtude

para curar enfermidades, convém que se declarem as árvores reais

que se dão na Bahia, de que se fazem os engenhos de açúcar e outras obras, de cuja grandeza há tanta fama.

E parece razão que se dê o primeiro lugar ao vinhático, a que o

gentio chama sabijejuba, cuja madeira é amarela e doce de lavrar,

a qual é incorruptível assim sobre a terra como debaixo dela, e

serve para as rodas dos engenhos, para outras obras deles, e para

casas e outras obras-primas. Há também façanhosos paus desta

casta, que se acham muitos de cem palmos de roda, e outros daqui

para baixo, mui grandes; mas os muitos grandes pela maior parte são ocos por dentro, dos quais se fazem canoas tão compridas

como galeotas; e acham-se muitos paus maciços, de que se tira

tabuado de três, quatro e cinco palmos de largo. Esta madeira não

se dá senão em terra boa e afastada do mar.

Os cedros da Bahia não têm diferença dos das Ilhas senão na

folha, que a cor da madeira e o cheiro e brandura ao lavrar é todo

um; a esta árvore chama o gentio acajacatinga, cuja madeira se

não corrompe nunca; da qual se acham mui grandes paus que

pela maior parte são ocos, mas acham-se alguns maciços, de que

se tira tabuado de três e quatro palmos de largo.

Pelo Rio dos Ilhéus trouxe a cheia um pau de cedro ao mar

tamanho que se tirou dele a madeira e tabuado com que se madeirou e forrou a igreja da Misericórdia, e sobejou madeira; a qual

é branda de lavrar e proveitosa para obras-primas e outras obras

dos engenhos, de que se faz muito tabuado para o forro das casas

e para barcos; e faz uma vantagem o cedro da Bahia ao das Ilhas,

que logo perde a fortidão do cheiro, e o fato que se mete nas caixas

de cedro não toma nenhum cheiro delas, e as obras do cedro das

Ilhas nunca jamais perderam o cheiro, e danam com ele o fato que

se nelas agasalha.

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