Primeira parte - Capítulo LXX
Em que se declara a costa do porto da Alagoa até o Rio de Martim
Afonso.
Do porto da Alagoa ao porto e Rio de Martim Afonso são vinte
e duas léguas, as quais se correm pela costa nordeste-sudoeste e
toma da quarta de norte-sul. Este rio está em trinta graus e um
quarto; e chama-se de Martim Afonso por ele o descobrir, quando
andou correndo esta costa de São Vicente até o Rio da Prata. Este
rio tem muito bom porto de fora para navios grandes e dentro
para os da costa, cuja terra é baixa e da qualidade da de trás. Tem
este rio duas léguas ao mar uma ilha onde há bom porto e abrigada para surgirem navios de todo o porto; entra a maré por este rio
muito, onde há muito marisco, cuja terra é de campinas que estão
sempre cheias de erva verde com algumas reboleiras de mato,
onde se dará tudo o que lhe plantarem, e se criará todo o gado
que lhe lançarem; por ser terra fria e ter muitas águas de alagoa, e
ribeiras para o gado poder beber, pelo que este rio se pode povoar,
onde os moradores que nele viverem estarão mui descansados, o
qual é povoado de tapuias como a mais terra atrás. Entre o porto
da Alagoa e de Martim Afonso está o porto que se diz de Santa
Maria e o que se diz da Terra Alta, e num e noutro podem surgir
os caravelões da costa.