Segunda parte - Capítulo CXXXIV Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 209 de 271
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Segunda parte - Capítulo CXXXIV

Em que se contêm diversas castas de peixes que se tomam em redes.

Além dos peixes que morrem nas redes, de que fica dito atrás,

se toma nelas o que se contém neste capítulo, que não morre à

linha. E comecemos logo do principal, que são as tainhas, a que os

índios chamam paratis, do que há infinidade delas na Bahia; com

as quais secas se mantêm os engenhos, e a gente dos navios do

Reino, de que fazem matalotagem para o mar. Estas tainhas se tomam em redes, porque andam sempre em cardumes; e andam na

Bahia ordinariamente a elas mais de cinquenta redes de pescar; e

são estas tainhas, nem mais nem menos como as da Espanha, mas

muito mais gostosas e gordas, das quais saem logo, num lanço, três

quatro mil tainhas, que também têm boas ovas. E de noite, com

águas vivas, as tomam os índios com umas redinhas de mão, que

chamam puçás, que vão atadas numa vara arcada; e ajuntam-se

muitos índios, e tapam a boca de um esteiro com varas e ramas, e

como a maré está cheia tapam-lhe a porta; e põem-lhe as redinhas

ao longo da tapagem, quando a maré vaza, e outros batem no cabo

do esteiro, para que se venham todas abaixo a meter nas redes; e

desta maneira carregam uma canoa de tainhas, e de outro peixe

que entra no esteiro.

Há outro peixe que morre nas redes, a que os índios chamam

zabucaí, e os portugueses, galo, o qual é alvacento, muito delgado

e largo, com uma boca pequena, e faz na cabeça uma feição como

crista, e nada de peralto; este peixe é muito leve e saboroso.

Tareira quer dizer “enxada”, que é o nome que tem outro peixe

que morre nas redes, que é quase quadrado, muito delgado pela

banda da barriga e grosso pelo lombo, o qual também nada de

peralto, e é muito saboroso e leve.

Chamam os índios coirimás a outros peixes da feição das tainhas, que morrem nas redes e que têm o mesmo sabor, mas são

muito maiores; e quando estão gordos estão cheios de banhas,

e são muito gostosos, e têm grandes ovas; os quais morrem nas

enseadas.

Arabori é outro peixe de arribação, da feição das savelhas de

Lisboa, e assim cheias de espinhas, as quais salpresas arremedam

às sardinhas de Portugal no sabor; e tomam-se em redes.

Carapebas são uns peixes que morrem nas redes em todo o

ano, que são baixos e largos, do tamanho dos sarguetes, em todo o

ano são gordos, saborosos e leves.

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