Segunda parte - Capítulo CXCIII Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 268 de 271
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Segunda parte - Capítulo CXCIII

Em que se declara o ferro, aço e cobre que tem a Bahia.

Bem por culpa de quem a tem não há na Bahia muitos engenhos de ferro, pois ela o está mostrando com o dedo em tantas

partes, para o que Luís de Brito levou aparelhos para fazer um engenho de ferro por conta de S. A. e oficiais deste mister; e o porque

se não fez, não serve de nada dizer-se; mas não se deixou de fazer

por falta de ribeiras de água, pois a terra tem tantas e tão capazes

para tudo; nem por falta de lenha e carvão, pois em qualquer parte

onde os engenhos de ferro assentarem há disto muita abundância.

Também na Bahia, trinta léguas pela terra adentro, há algumas

minas descobertas sobre a terra de mais fino aço que o de Milão;

o qual está em pedra sem outra nenhuma mistura de terra nem

pedra; e não tem que fazer mais que lavrar-se em vergas para se

poder fazer obra com ele, do que há muita quantidade que está

perdido sem haver quem ordene de o aproveitar; e desta pedra de

aço se servem os índios para amolarem as suas ferramentas com

ela a mão.

E cinquenta ou sessenta léguas pela terra adentro tem a Bahia

uma serra muito grande escalvada, que não tem outra coisa senão

cobre, que está descoberto sobre a terra em pedaços, feitos em

concavidades, crespo, que não parece senão que foi já fundido, ou,

ao menos, que andou fogo por esta serra, com que se fez este lavor

no cobre, do que há tanta quantidade que se não acabará nunca.

E nesta serra estiveram por vezes alguns índios tupinambás e

muitos mamelucos, e outros homens que vinham do resgate, os

quais trouxeram mostras deste cobre em pedaços, que se não foram tantas as pessoas que viram esta serra se não podia crer senão

que o derreteram no caminho de algum pedaço de caldeira que

levavam; mas todos afirmaram estar este cobre daquela maneira

descoberto na serra.

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