Segunda parte - Capítulo XV Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 90 de 271
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Segunda parte - Capítulo XV

Em que se declaram as grandes qualidades que tem a Bahia de Todos

os Santos.

El-Rei D. João III de Portugal, que está em glória, estava tão

afeiçoado ao Estado do Brasil, especialmente à Bahia de Todos

os Santos, que, se vivera mais alguns anos, edificaria nele um

dos mais notáveis reinos do mundo, e engrandecera a cidade do

Salvador de feição que se pudera contar entre as mais notáveis de

seus reinos, para o que ela estava mui capaz, e agora o está ainda

mais em poder e aparelho para isso, porque é senhora desta baía,

que é a maior e mais formosa que se sabe pelo mundo, assim em

grandeza como em fertilidade e riqueza. Porque esta baía é grande

e de bons ares, mui delgados e sadios, de muito frescas e delgadas

águas, e mui abastada de mantimentos naturais da terra, de muita

caça, e muitos e mui saborosos pescados e frutas, a qual está arrumada pela maneira seguinte.

A baía se estende da ponta do Padrão ao morro do Tinharé, que

demora um do outro nove ou dez léguas, ainda que o capitão da

capitania dos Ilhéus não queira consentir que se estenda senão da

ponta da Ilha de Itaparica à do Padrão; mas está já averiguada por

sentença, que se estende a baía da ponta do Padrão até Tinharé,

como já dito; a qual sentença se deu por haver dúvida entre os

rendeiros da capitania dos Ilhéus e da Bahia, sobre a quem pertenciam os dízimos do pescado, que se pescava junto a este morro de

Tinharé, o qual dízimo se sentenciou ao rendeiro da Bahia, por se

averiguar estender-se a baía do morro para dentro, como na verdade se deve de entender.

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