Segunda parte - Capítulo XXIV Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 99 de 271
Obra Menu

Segunda parte - Capítulo XXIV

Em que se declara o sítio da terra da boca do esteiro de Mataripe até

a ponta de Marapé e dos engenhos que em si tem.

\Deste esteiro de Mataripe ao de Caípe será meia légua, ou menos, a qual está toda lavrada e aproveitada de muitos canaviais

que os moradores que por esta terra vivem, têm feito. Neste esteiro de Caípe está um engenho de bois de duas moendas, peça de

muita estima, o qual é de Martim Carvalho, onde tem uma ermida da Santíssima Trindade mui concertada com as mais oficinas

necessárias.

Defronte deste esteiro de Caípe está um ilhéu de pedra meia

légua no mar, que se diz Itapitanga, do qual esteiro corre a terra

quase direita obra de uma légua ou mais, no cabo da qual está

outro engenho de bois, fazenda muito grossa de escravos e canaviais, com nobres edifícios de casas, com uma fresca igreja de

Nossa Senhora das Neves, muito bem acabada, o qual engenho é

de André Fernandes Margalho, que o herdou de seu pai com muita fazenda. Ao longo desta terra, um tiro de berço, está estendida

a Ilha de Cururupeba, que é de meia légua de comprido, a qual

é dos padres da Companhia, que a têm arrendada a sete ou oito

moradores, que nela vivem.

Entre esta ilha e a dos Frades estão duas ilhetas, em cada uma

das quais está um morador, que a lavra, e são de Antônio da Costa.

Deste engenho de André Fernandes para cima vai fazendo a terra uma enseada de uma légua, no cabo da qual está o esteiro de

Parnamirim; e defronte desta enseada, bem chegadas à terra firme,

estão três ilhas; a primeira defronte do engenho, que é do mesmo

André Fernandes, que tem perto de meia légua, onde tem alguns

moradores, que lavram canas e mantimentos; e junto desta ilha

está outra menor, que é do mesmo, de onde tira lenha para o engenho; e mais avante de Parnamirim está outra ilha, que se diz a

das Fontes, que é de João Nogueira, a qual é de meia légua, onde

também vivem sete ou oito moradores. A terra de todas estas três

ilhas é alta e muito boa. Na boca do esteiro de Parnamirim está

um engenho de bois de Belchior Dias Porcalho, que tem uma

ermida de Santa Catarina. Por este esteiro de Parnamirim entra a

maré uma légua, no cabo da qual está outro engenho de bois de

Antônio da Costa, que está muito bem acabado. Este esteiro de

uma parte e da outra está todo lavrado de canaviais e povoado

de formosas fazendas, no meio do qual está uma Ilha de Vicente

Monteiro, toda lavrada com uma formosa fazenda. E tornado à

boca deste esteiro, andando sobre a mão direita daí a uma légua,

está tudo povoado de moradores, onde tem muito boas fazendas

de canaviais e algodões, a qual terra se chama Tamarari, no meio

da qual está uma igreja de Nossa Senhora, que é freguesia deste

limite. Esta terra faz no cabo uma ponta; e virando dela sobre a

mão direita vai fugindo a terra para trás, até dar em outro esteiro

que chamam Marapé, onde se começam as terras de Mem de Sá,

que agora são de seu genro, o Conde de Linhares.

1/1
Menu

Fazer anotação