Segunda parte - Capítulo XXIV
Em que se declara o sítio da terra da boca do esteiro de Mataripe até
a ponta de Marapé e dos engenhos que em si tem.
\Deste esteiro de Mataripe ao de Caípe será meia légua, ou menos, a qual está toda lavrada e aproveitada de muitos canaviais
que os moradores que por esta terra vivem, têm feito. Neste esteiro de Caípe está um engenho de bois de duas moendas, peça de
muita estima, o qual é de Martim Carvalho, onde tem uma ermida da Santíssima Trindade mui concertada com as mais oficinas
necessárias.
Defronte deste esteiro de Caípe está um ilhéu de pedra meia
légua no mar, que se diz Itapitanga, do qual esteiro corre a terra
quase direita obra de uma légua ou mais, no cabo da qual está
outro engenho de bois, fazenda muito grossa de escravos e canaviais, com nobres edifícios de casas, com uma fresca igreja de
Nossa Senhora das Neves, muito bem acabada, o qual engenho é
de André Fernandes Margalho, que o herdou de seu pai com muita fazenda. Ao longo desta terra, um tiro de berço, está estendida
a Ilha de Cururupeba, que é de meia légua de comprido, a qual
é dos padres da Companhia, que a têm arrendada a sete ou oito
moradores, que nela vivem.
Entre esta ilha e a dos Frades estão duas ilhetas, em cada uma
das quais está um morador, que a lavra, e são de Antônio da Costa.
Deste engenho de André Fernandes para cima vai fazendo a terra uma enseada de uma légua, no cabo da qual está o esteiro de
Parnamirim; e defronte desta enseada, bem chegadas à terra firme,
estão três ilhas; a primeira defronte do engenho, que é do mesmo
André Fernandes, que tem perto de meia légua, onde tem alguns
moradores, que lavram canas e mantimentos; e junto desta ilha
está outra menor, que é do mesmo, de onde tira lenha para o engenho; e mais avante de Parnamirim está outra ilha, que se diz a
das Fontes, que é de João Nogueira, a qual é de meia légua, onde
também vivem sete ou oito moradores. A terra de todas estas três
ilhas é alta e muito boa. Na boca do esteiro de Parnamirim está
um engenho de bois de Belchior Dias Porcalho, que tem uma
ermida de Santa Catarina. Por este esteiro de Parnamirim entra a
maré uma légua, no cabo da qual está outro engenho de bois de
Antônio da Costa, que está muito bem acabado. Este esteiro de
uma parte e da outra está todo lavrado de canaviais e povoado
de formosas fazendas, no meio do qual está uma Ilha de Vicente
Monteiro, toda lavrada com uma formosa fazenda. E tornado à
boca deste esteiro, andando sobre a mão direita daí a uma légua,
está tudo povoado de moradores, onde tem muito boas fazendas
de canaviais e algodões, a qual terra se chama Tamarari, no meio
da qual está uma igreja de Nossa Senhora, que é freguesia deste
limite. Esta terra faz no cabo uma ponta; e virando dela sobre a
mão direita vai fugindo a terra para trás, até dar em outro esteiro
que chamam Marapé, onde se começam as terras de Mem de Sá,
que agora são de seu genro, o Conde de Linhares.