Segunda parte - Capítulo XXIX Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 104 de 271
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Segunda parte - Capítulo XXIX

Em que se explica o tamanho e formosura do Rio Irajuí e seus

recôncavos.

Correndo por esta ponta de entre ambos os rios acima com a

mão direita ao longo da terra, da ponta duas léguas pelo rio acima, é a terra fraca, que não serve senão para lenha dos engenhos;

daqui para cima uma légua da cachoeira deste rio, é tudo povoado

de canaviais e fazendas de moradores, até onde a água salgada se

mete por dois esteiros acima, onde se ajuntam com ele duas ribeiras de água, nas quais estão dois engenhos, os quais deixemos estar para dizermos primeiro do Rio de Irajuí, que vai por este meio

um quarto de légua para cima, povoado de canaviais e fazendas

em que entra uma casa de meles de muita fábrica de Gaspar de

Freitas, além da qual, junto à cachoeira, está situado o engenho de

Diogo Correia de Sande, que é uma das melhores peças da Bahia,

porque está mui bem acabado, com grandes aposentos e outras

oficinas, e uma fresca igreja de Vera Cruz.

E tornando abaixo ao esteiro da mão direita, que se chama

Caípe, indo por ele acima, está um soberbo engenho com casas de

purgar e de vivenda, e muitas outras oficinas, com grande e formosa igreja de São Lourenço, onde vivem muitos vizinhos numa

povoação que se diz a Graciosa. Esta é muito fértil e abastada de

todos os mantimentos e de muitos canaviais de açúcar, a qual é de

Gabriel Soares de Sousa; e deste engenho ao de Diogo Correia não

há mais distância que quatrocentas braças de caminho de carro, e

para vizinharem se servem os carros de um engenho ao outro por

cima de duas pontes, e atravessam estes rios e ficam os engenhos

à vista um do outro.

E tornando ao outro esteiro que fica da outra banda do Rio

Irajuí, onde se mete a ribeira que se diz de Jaceru, com a qual mói

outro engenho que agora novamente fez o mesmo Diogo Correia,

o qual está mui bem acabado e aperfeiçoado com as oficinas necessárias; todo este esteiro está povoado de fazendas de moradores

com formosos canaviais; e descendo por este rio abaixo ao longo

da terra da mão direita, andando mais de uma légua, vai a terra

povoada da mesma maneira, onde este rio é como o Tejo de Vila

Franca para cima.

E daqui até em direito da ponta que divide este Rio de Jaguaripe é a terra fraca, onde há três esteiros que entram por ela dentro

duas léguas, nos quais se metem ribeiras com que se podem moer

engenhos; mas a terra não é capaz para dar muitos anos canas. E

abaixo deste esteiro está uma ilheta que chamam do Sal, porque

o gentio, quando vivia mais perto do mar, costumava-o fazer ali,

defronte da qual está outra ilheta no cabo da ponta de ambos os

rios. Desta ilha até a ponta da barra haverá uma légua, tudo terra

de pouca substância.

Desta terra à Ilha de Fernão Vaz é perto de uma légua, e entre esta ilha e a de Taparica e a terra firme fica quase em quadra

uma baía de uma légua, onde se mete a barra que se chama de

Jaguaripe, de que se faz já menção.

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