Primeira parte - Capítulo LXV
Em que se declara a costa da Cananeia até o Rio de São Francisco.
Do Rio da Cananeia até o Cabo do Padrão são cinco léguas, junto do qual está uma ilheta chegada à terra e chama-se este Cabo
do Padrão, por aqui se assentar um pelos primeiros descobridores
desta costa. Do Cabo do Padrão ao Rio de Santo Antônio são oito
léguas, o qual está em vinte graus esforçados e dois terços. Neste
rio entram barcos da costa à vontade. Do Rio de Santo Antônio
ao Alagado são cinco léguas, e entre um e outra está uma ilheta
chegada à terra.
Do Rio Alagado ao de São Francisco são cinco léguas, o qual
está em vinte seis graus e dois terços e tem na boca três ilhéus.
Neste rio entram navios da costa, onde estão seguros de todo o
tempo; chama-se este Rio de São Francisco, porque afirmam os
povoadores da capitania de São Vicente que se informaram do
gentio donde vinha este rio que entra no mar desta costa, e que
lhe afirmaram ser um braço do Pará, a que os portugueses chamam de São Francisco, que é o que já dissemos, o que não parece
possível, segundo o lugar onde se vai meter no mar tão distante
deste. Por este rio entra a maré muito, por onde se navega barcos com barcos, no qual se metem muitas ribeiras. Este rio tem
grandes pescarias e muito marisco, e a terra ao longo tem muita
caça, e grande cômodo para se poder povoar, por ser muito fértil,
e dará tudo o que lhe plantarem. A terra deste rio é alta e fragosa e
povoada de gentio carijó.
Corre-se esta costa da Cananeia até o Rio de São Francisco nordeste-sudoeste, e todas estas ilhas que estão por ela, as que estão à
boca do Rio de São Francisco têm bom porte e surgidouro para os
navios ancorarem.