Primeira parte - Capítulo XXXIV Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 35 de 271
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Primeira parte - Capítulo XXXIV

Em que se declara a costa do Rio Grande até o de Santa Cruz.

Do Rio Grande ao seu braço são duas léguas, pelo qual braço

entram caravelões, que por ele vão entrar no mesmo Rio Grande

meia-légua da barra para cima. Do braço do Rio Grande ao Rio

Boiquisape são três léguas, e do Boiquisape à ponta dos baixos de

Santo Antônio são quatro léguas, e da ponta de Santo Antônio ao

seu rio é meia-légua; do Rio de Santo Antônio ao de Sernambitibe

são duas léguas; e deste Rio de Santo Antônio e da sua ponta até

o Rio de Semambitibe, estão uns baixos com canal entre eles e

a costa, por onde entram barcos pequenos pela ponta de Santo

Antônio; e mais ao mar ficam uns arrecifes do mesmo tamanho,

com canal entre uns e outros. E defronte do Rio de Santo Antônio

têm estes arrecifes do mar um boqueirão, por onde pode entrar

uma nau e ir ancorar pelo canal que se faz entre um arrecife e o

outro, onde estará seguro; no mesmo arrecife do mar está outro

boqueirão, por onde podem entrar caravelões da costa defronte

do Rio de Semambitibe, pelo qual se pode ir buscar o porto. Do

Rio de Sernambitibe ao de Santa Cruz são duas léguas, onde esteve

um engenho de açúcar. Neste porto de Santa Cruz entram naus da

Índia de todo o porte, as quais entram com a proa loeste, e surgem

numa enseada como concha, onde estão muito seguras de todo

o tempo. Este Rio de Santa Cruz está em dezesseis graus e meio,

e corre-se a costa do Rio Grande até esta de Santa Cruz nordeste -

-sudoeste, o que se há de fazer afastado da terra duas léguas, por

amor dos baixos. Neste Porto de Santa Cruz esteve Pedro Álvares

Cabral, quando ia para a Índia, e descobriu esta terra e aqui tomou

posse dela, onde esteve a vila de Santa Cruz, a qual terra estava

povoada então de tupiniquins, que senhoreavam esta costa do Rio

Camamu até o de Cricaré, de cuja vida e feitos diremos ao diante.

Esta vila de Santa Cruz se despovoou donde esteve e a passaram

para junto do Rio de Sernambitibe, pela terra ser mais sadia e acomodada para os moradores viverem.

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