Segunda parte - Capítulo LXXIII
Em que se trata de árvores de que se fazem remos e hastes de lanças.
Atrás tratamos do jenipapo no tocante ao fruto, agora lhe cabe
tratar no tocante à madeira; cujas árvores são altas e de honesta
grossura, tem a folha como castanheiro; a madeira é de cor branca, como buxo, de que se fazem muitos e bons remos, que duram
mais que os de faia; enquanto verdes são pesados, mas depois de
secos são muito leves; esta madeira não fende nem estala, de que
se faz também toda a sorte de poleame, por ser doce de lavrar; e
cabos e cepos para toda a ferramenta de toda a sorte.
Uacá é outra árvore de que se fazem remos para os barcos, a
qual se dá em terras úmidas e de areia. São estas árvores de meã
grossura, e quando se lavram fazem um roxo claro muito formoso, mas dura-lhe pouco a cor; as quais, depois de derrubadas, as
fendem os índios de alto a baixo em quartos, para fazerem os remos, que não duram tanto como os de jenipapo.
Há outras árvores, a que os índios chamam ubiratinga, que
não são grossas, mas compridas e direitas, e têm a casca áspera; a
cor da madeira é açafroada e boa de fender, o que se lhe faz para
fazerem hastes de lança e arremessões, que se fazem muito formosos, e de dardos que são mais pesados que os de Biscaia; mas mais
duros e formosos. Dão-se estas árvores em terras baixas e úmidas
perto do salgado.