Segunda parte - Capítulo LXXIII Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 148 de 271
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Segunda parte - Capítulo LXXIII

Em que se trata de árvores de que se fazem remos e hastes de lanças.

Atrás tratamos do jenipapo no tocante ao fruto, agora lhe cabe

tratar no tocante à madeira; cujas árvores são altas e de honesta

grossura, tem a folha como castanheiro; a madeira é de cor branca, como buxo, de que se fazem muitos e bons remos, que duram

mais que os de faia; enquanto verdes são pesados, mas depois de

secos são muito leves; esta madeira não fende nem estala, de que

se faz também toda a sorte de poleame, por ser doce de lavrar; e

cabos e cepos para toda a ferramenta de toda a sorte.

Uacá é outra árvore de que se fazem remos para os barcos, a

qual se dá em terras úmidas e de areia. São estas árvores de meã

grossura, e quando se lavram fazem um roxo claro muito formoso, mas dura-lhe pouco a cor; as quais, depois de derrubadas, as

fendem os índios de alto a baixo em quartos, para fazerem os remos, que não duram tanto como os de jenipapo.

Há outras árvores, a que os índios chamam ubiratinga, que

não são grossas, mas compridas e direitas, e têm a casca áspera; a

cor da madeira é açafroada e boa de fender, o que se lhe faz para

fazerem hastes de lança e arremessões, que se fazem muito formosos, e de dardos que são mais pesados que os de Biscaia; mas mais

duros e formosos. Dão-se estas árvores em terras baixas e úmidas

perto do salgado.

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