Primeira parte - Capítulo XXII
Em que se declara a costa do Rio de Sergipe até o Rio Real.
Deste Rio de Sergipe de que acima dissemos, a quatro léguas
está outro rio, que se diz de Cotegipe, cuja boca é de meia légua,
no meio da qual tem uma ilha em que tem umas moitas verdes,
a qual ilha faz duas barras a este rio; pela do sul podem entrar navios de oitenta tonéis, porque no mais debaixo tem de fundo duas
braças de baixamar, e mais para dentro tem cinco braças; pela
barra do norte entram caravelões da costa. Tem este rio à boca da
barra uns bancos de areia que botam meia légua ao mar. Por este
rio se navega três léguas, que tantas entra a maré por ele acima, o
qual é muito farto de peixe e marisco, cuja terra é sofrível para se
poder povoar e no sertão dela tem grandes matas de pau-brasil.
Deste Rio de Cotegipe ao Rio de Pereira, a que outros chamam
de Canafístula, são quatro léguas. Do qual até Sergipe faz a terra
outra enseada, a que também chamam de Vazabarris, no seio da
qual está o Rio Cotegipe, de que já falamos, a que muitos chamam
do nome de enseada. Do Rio de Pereira a duas léguas está a ponta do Rio Real, donde se corre a costa até Sergipe nor-nordeste
su-sudoeste.