Segunda parte - Capítulo CLXXXIII Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 258 de 271
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Segunda parte - Capítulo CLXXXIII

Que trata da terra que os tapuias possuíram e possuem hoje em dia.

Até agora tratamos de todas as castas de gentio que vivia ao largo do mar da costa do Brasil, e de algumas nações que vivem pelo

sertão, de que tivemos notícia, e deixamos de falar dos tapuias, que

é o mais antigo gentio que vive nesta costa, do qual ela foi toda senhoreada, desde a boca do Rio da Prata até a do Rio das Amazonas,

como se vê do que está hoje povoado e senhoreado deles; porque

da banda do Rio da Prata senhoreiam ao longo da costa mais de

cento e cinquenta léguas, e da parte do Rio das Amazonas senhoreiam para contra o sul mais de duzentas léguas e pelo sertão vêm

povoando por uma corda de terra por cima de todas as nações do

gentio nomeadas, desde o Rio da Prata até o das Amazonas, e toda

a mais costa senhorearam nos tempos atrás, de onde por espaço

de tempo foram lançados de seus contrários; por se eles dividirem

e inimizarem uns com os outros, por onde se não favoreceram, e

os contrários tiveram forças para pouco a pouco os irem lançando

na ribeira do mar de que eles eram possuidores.

Atrás fica dito como foram lançados os tapuias da Bahia e seu

limite pelos tupinaés, os quais se foram recolhendo para o sertão

por espaço de tempo, onde até agora vivem divididos em bandos,

não se acomodando uns com os outros, antes têm cada dia diferenças e brigas, e se matam muitas vezes em campo; por onde se

diminuem em poder, para não poderem resistir a seus contrários,

com as forças necessárias; por se fiarem muito em seu esforço e

ânimo, não entendendo o que está tão entendido, que o esforço

dos poucos não pode resistir ao poder dos muitos.

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