Primeira parte - Capítulo LXIX
Em que se declara a costa do Rio dos Patos até o da Alagoa.
Do Rio dos Patos ao Rio de D. Rodrigo são oito léguas; e corre-se
a costa norte-sul, até onde a terra é algum tanto alta, o qual porto
está em vinte e oito graus e um quarto. Esse porto está no Cabo
da Ilha de Santa Catarina, o qual está numa baía que a terra faz
para dentro, onde há grande abrigada e surgidouro para os navios
estarem seguros de todos os ventos, tirado o nordeste, que cursa no verão e venta igual, com o qual se não encrespa o mar. Do
porto de D. Rodrigo ao porto e Rio da Lagoa, são treze léguas, o
qual nome tomou por o porto ser uma calheta grande e redonda e
fechada na boca, que parece a lagoa, onde também entram navios
da costa e estão mui seguros. Do Rio dos Patos até aqui é esta terra
à vista do mar sem mato, mas está vestida de erva verde, como a
Espanha, onde se dão muito bem todos os frutos que lhe plantam;
na qual se dará maravilhosamente a criação das vacas e todo o
mais gado que lhe lançarem, por ser a terra fria e ter muitas águas
para o gado beber. Essa terra é possuída dos tapuias, ainda que
vivem algum tanto afastados do mar, por ser a terra desabrigada
dos ventos; mas o porto de D. Rodrigo é suficiente para se poder
povoar, pela fertilidade da terra e pela comodidade que tem ao
longo do mar de pescarias e muito marisco e por a terra ter muita
caça. E o Porto da Alagoa, com que concluímos este capítulo, tem
ilhéu junto da boca da barra.