Segunda parte - Capítulo LXXXVIII Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 163 de 271
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Segunda parte - Capítulo LXXXVIII

Em que se trata de alguns passarinhos que cantam.

Suiriris são uns passarinhos como chamarizes, que criam em

ninhos nas árvores, os quais se mantêm com bichinhos e formigas das que têm asas, a que em Portugal chamam agudes; estes

se criam em gaiolas, onde cantam muito bem mas não dobram

muito quando cantam.

Há outros pássaros pretos, com os encontros amarelos, a que

os índios chamam urandi, que criam em ninhos de palha, onde

põem dois ovos, os quais cantam muito bem.

Há outros passarinhos, a que os índios chamam uraenhan-gatá,

que são quase todos amarelos, que criam em ninhos de palha que

fazem nas árvores, os quais cantam nas gaiolas muito bem.

Criam-se em árvores baixas em ninhos outros pássaros, a que

o gentio chama sabiapoca, que são todos aleonados muito formosos, os quais cantam muito bem.

Pexaroréns são uns passarinhos todos pretos, tamanhos como

calhandras, que andam sempre por cima das árvores, mas comem

no chão bichinhos e cantam muito bem.

Querejuás são uns passarinhos todos azuis de cor finíssima,

que andam sempre por cima das árvores, onde criam e se mantêm

com o fruto delas, e cantam muito bem.

Muiepererus são uns passarinhos pardos tamanhos como carriças; criam nos buracos das árvores e das pedras, põem muitos

ovos, comem aranhas e minhocas, cantam como rouxinóis, mas

não dobram tanto como eles.

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