Segunda parte - Capítulo CLXXXIX Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 264 de 271
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Segunda parte - Capítulo CLXXXIX

Em que se declaram os grandes aparelhos que há na Bahia para se

nela fazerem grandes armadas.

Pois sobejam aparelhos à Bahia para se poder fortificar, entenda-se que lhe não faltam para se poder fazer grandes armadas

com que se possa defender e ofender a quem contra o sabor de

Sua Majestade se quiser apoderar dela, para o que tem tantas e

tão maravilhosas e formosas madeiras, para se fazerem muitas

naus, galeões e galés, para quem não faltarão remos, com que se

eles possam remar, muito extremados, como já fica dito atrás; pois

para se fazer muito tabuado para estas embarcações sobeja cômodo para isso, porque há muitas castas de madeiras, que se serram

muito bem, como em seu lugar fica dito; para as quais o que falta

são serradores, de que há tantos na Bahia escravos de diversas

pessoas, que, convindo ao serviço de Sua Majestade trabalharem

todos e fazer tabuado, ajuntar-se-ão pelo menos quatrocentos serradores escravos muito destros, e duzentos escravos carpinteiros

de machado; e ajuntar-se-ão mais quarenta carpinteiros da ribeira,

portugueses e mestiços, para ajudarem a fazer as embarcações, os

quais se ocupam em fazer navios que na terra fazem, caravelões,

barcas de engenho e barcos de toda a sorte. O que resta agora de

madeira para fazerem estas naus e galés são mastros e vergas; disto

há mais aparelho na Bahia que nas províncias de Flandres; porque

há muitos mastros inteiros para se emastrearem naus de toda a

sorte, e muitas vergas, o que tudo é mais forte do que os de pinho

e de mais dura (mas são mais pesados), o que tudo se achará à borda da água. Bem sei que me estão já perguntando pela pregadura

para essas armadas, ao que respondo que na terra há muito ferro

de veias para se poder lavrar, mas que enquanto se não lavra será

necessário vir de outra parte; mas, se a necessidade for muita, há

tantas ferramentas na terra de trabalho, tantas ferragens dos engenhos que se poderão juntar mais de cem mil quintais de ferro;

e porque tarde já em lhe dar ferreiro, digo que em cada engenho

há um ferreiro com sua tenda, e com os mais que têm tenda na

cidade e em outras partes se podem juntar cinquenta tendas de

ferreiros, com seus mestres obreiros.

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