Segunda parte - Capítulo CXCI Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 266 de 271
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Segunda parte - Capítulo CXCI

Em que se apontam os mais aparelhos que faltam para as

embarcações.

Pois que temos aparelhos para lançar as embarcações que se

podem fazer na Bahia ao mar, convém que lhe demos os aparelhos com que estas embarcações possam navegar; e demos-lhe

primeiro as bombas, que se fazem na terra muito boas, de duas

peças porque têm extremadas madeiras para elas; e para navios

pequenos há umas árvores que a natureza furou por dentro, que

servem de bombas nos navios da costa, as quais são muito boas.

Pois os poleames se fazem de uma árvore que chamam jenipapo, que é muito bom de lavrar, e nunca fende quando está seco, de

que se farão de toda a sorte. Enxárcia para as embarcações tem a

Bahia em muita abastança, porque se faz da mesma embira com

que calafetam, antes de se amassar, aberta em febras a mão, a qual

se fia tão bem como o linho, e é mais durável e mais rija que a de

esparto, e tão boa como a do Cairo; e desta mesma embira se fazem

amarras muito fortes e grossas e de muita dura; e há na terra embira em abastança para se poder fazer muita quantidade de enxárcia

e amarras; e para amarras tem a terra outro remédio das barbas de

umas palmeiras bravas que lhes nascem ao pé, de comprimento

de quinze e vinte palmos, de que se fazem amarras muito fortes e

que nunca apodrecem, de que há muita quantidade pelos matos

para se fazerem muitas quando cumprir. Pelo que não falta mais

agora para estas armadas que as velas, para o que há facilíssimo

remédio, quando as não houver de lonas e pano de breu, pois em

todos os anos se fazem grandes carregações de algodão, de que

se dá muito na terra; do qual podem fazer grandes teais de pano

grosso, que é muito bom para velas, de muita dura e muito leves,

de que andam velejados os navios e barcos da costa; e dentro da

Bahia trazem muitos barcos as velas de pano de algodão que se fia

na terra, para o que há muitas tecedeiras, que se ocupam em tecer

teais de algodão, que se gastam em vestidos dos índios, escravos

de Guiné, e outra muita gente branca de trabalho.

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