Segunda parte - Capítulo CXCIV Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 269 de 271
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Segunda parte - Capítulo CXCIV

Em que se trata das pedras verdes e azuis que se acham no sertão da

Bahia.

Deve-se também notar que se acham também no sertão da

Bahia umas pedras azuis-escuras muito duras e de grande fineza,

de que os índios fazem pedras que metem nos beiços, e fazem-nas

muito roliças e de grande lustro, roçando-as com outras pedras,

das quais se podem fazer peças de muita estima e grande valor, as

quais se acham muito grandes; e entre elas há algumas que têm

umas veias aleonadas que lhes dão muita graça.

No mesmo sertão há muitas pedreiras de pedras verdes coalhadas, muito rijas, de que o gentio também faz pedras para trazer

nos beiços, roliças e compridas, as quais lavram como as de cima,

com o que ficam muito lustrosas; do que se podem lavrar peças

muito ricas e para se estimarem entre príncipes e grandes senhores, por terem a cor muito formosa; e podem se tirar da pedreira

pedaços de sete e oito palmos, e estas pedras têm grande virtude

contra a dor de cólica.

Em muitas outras partes da Bahia, nos cavoucos que fazem

as invernadas na terra, se acham pedaços de finíssimo cristal, e

de mistura algumas pontas oitavadas como diamante, lavradas

pela natureza que têm muita formosura e resplandor. E não há

dúvida senão que entrando bem pelo sertão desta terra há serras

de cristal finíssimo, que se enxerga o resplandor delas de muito

longe, e afirmaram alguns portugueses que as viram que parecem

de longe as serras da Espanha quando estão cobertas de neve, os

quais e muitos mamelucos e índios que viram essas serras dizem

que está tão bem criado e formoso este cristal em grandeza, que se

podem tirar pedaços inteiros de dez, doze palmos de comprido, e

de grande largura e fornimento, do qual cristal pode vir à Espanha

muita quantidade para poderem fazer dele obras mui notáveis.

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