Segunda parte - Capítulo LXXIV
Em que se diz de algumas árvores que têm ruim cheiro.
Nestes matos se acham umas árvores meãs e direitas, de que
se fazem obras de casas; a sua madeira por fora é almecegada e
o âmago por dentro muito preto; mas quando a lavram não há
quem lhe sofra o fedor, porque é pior que o de umas necessárias,
e chegar os cavacos aos narizes é morrer, que tão terrível fedor
têm; e metendo-se no fogo se refina mais o fedor; a estas árvores
chamam os índios ubirarema, que quer dizer “madeira que fede
muito”.
Há outra casta de ubirarema, cujas árvores são grandes e desordenadas nos troncos, como as oliveiras; cujos ramos, folhas,
cascas e madeira fedem a alhos, de feição que quem os aperta com
as mãos lhe fica fedendo de maneira que se lhe não tira em todo o
dia o cheiro, e têm árvores as folhas da feição das ameixeiras.
Ao pé de algumas árvores se criam uns ramos como parreira,
da grossura e da feição de uma corda meã, a que os índios chamam cipós, os quais trepam pelas árvores acima como as videiras;
os quais cipós cheiram a alhos, e quem pega deles não se lhe tira o
cheiro em todo aquele dia, por mais que se lave.