Segunda parte - Capítulo LXXIV Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 149 de 271
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Segunda parte - Capítulo LXXIV

Em que se diz de algumas árvores que têm ruim cheiro.

Nestes matos se acham umas árvores meãs e direitas, de que

se fazem obras de casas; a sua madeira por fora é almecegada e

o âmago por dentro muito preto; mas quando a lavram não há

quem lhe sofra o fedor, porque é pior que o de umas necessárias,

e chegar os cavacos aos narizes é morrer, que tão terrível fedor

têm; e metendo-se no fogo se refina mais o fedor; a estas árvores

chamam os índios ubirarema, que quer dizer “madeira que fede

muito”.

Há outra casta de ubirarema, cujas árvores são grandes e desordenadas nos troncos, como as oliveiras; cujos ramos, folhas,

cascas e madeira fedem a alhos, de feição que quem os aperta com

as mãos lhe fica fedendo de maneira que se lhe não tira em todo o

dia o cheiro, e têm árvores as folhas da feição das ameixeiras.

Ao pé de algumas árvores se criam uns ramos como parreira,

da grossura e da feição de uma corda meã, a que os índios chamam cipós, os quais trepam pelas árvores acima como as videiras;

os quais cipós cheiram a alhos, e quem pega deles não se lhe tira o

cheiro em todo aquele dia, por mais que se lave.

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