Segunda parte - Capítulo XXI Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 96 de 271
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Segunda parte - Capítulo XXI

Em que se declara a terra e sítio das fazendas que há da boca de

Pirajá até o Rio de Matoim.

Por este Rio de Pirajá abaixo, e da boca dele para fora ao longo do mar da baía, por ela acima, vai tudo povoado de formosas

fazendas e tão alegres da vista do mar, que não cansam os olhos

de olhar para elas.

E no princípio está uma de Antônio de Oliveira de Carvalhal,

que foi alcaide-mor de Vila Velha, com uma ermida de São Brás; e

vai correndo esta ribeira do mar da baía com esta formosura até

Nossa Senhora da Escada, que é muito formosa igreja dos padres

da Companhia, que a têm muito bem concertada; onde às vezes

vão convalescer alguns padres de suas enfermidades, por ser

o lugar para isso; a qual igreja está uma légua do Rio de Pirajá e

duas da cidade. De Nossa Senhora da Escada para cima se recolhe a terra para dentro até o porto de Paripe, que é daí uma légua,

cujo espaço se chama Praia Grande, por ela ser muito formosa, ao

longo da qual está tudo povoado de mui alegres fazendas, e de um

engenho de açúcar que mói com bois e está muito bem acabado,

cujo senhorio se chama Francisco de Aguilar, homem principal,

castelhano de nação. Deste porto de Paripe obra de quinhentas

braças pela terra dentro está outro engenho de bois que foi de

Vasco Rodrigues Lobato, todo cercado de canaviais de açúcar, de

que se fazem muitas arrobas.

Do porto de Paripe se vai à terra afeiçoando à maneira de ponta

lançada ao mar, e corre assim obra de uma légua, onde está uma

ermida de São Tomé em um alto, ao pé do qual ao longo do mar

estão umas pegadas assinaladas em uma lájea, que diz o gentio

diziam seus antepassados que andara por ali, havia muito tempo,

um santo, que fizera aqueles sinais com os pés. Toda a terra por

aqui é mui fresca, povoada de canaviais e pomares de árvores de

espinho, e outras frutas da Espanha e da terra, de onde se ela torna

a recolher para dentro, fazendo outra praia mui formosa e povoada de mui frescas fazendas, por cima das quais aparece a igreja

de Nossa Senhora do Ó, freguesia da povoação de Paripe, que está

junto dela, arruada e povoada de moradores, que é a mais antiga

povoação e julgado da Bahia.

Desta praia se torna a terra a afeiçoar à maneira de ponta para

o mar, e na mais saída a ele se chama a ponte do Toquetoque, de

onde a terra torna a recuar para trás até a boca do Rio de Matoim,

tudo povoado de alegres fazendas. Do porto de Paripe ao Rio

Matoim são duas léguas, e de Matoim à cidade são cinco léguas.

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