Primeira parte - Capítulo LXIV
Em que se declara a costa do Rio de Santo Amaro até a Cananeia.
Atrás fica dito como se divide a capitania de São Vicente da
de Santo Amaro pelo esteiro de Santos, e como a vila de Santo
Amaro é cabeça desta capitania, da qual o Rio da Cananeia são
vinte e cinco léguas ou trinta, antes da qual se acaba a capitania de Santo Amaro, e corre-se esta costa de Santo Amaro até a
Cananeia nordeste-sudoeste, e toma da quarta do leste-oeste, a
qual terra é toda boa para se poder aproveitar, e tem muitos riachos, que se vêm meter no mar, entre os quais é um que está onze
léguas, antes que cheguem a Cananeia, a qual faz na boca uma
enseada, que tem uma ilha junto ao rio, que se diz a Ilha Branca.
Este Rio da Cananeia está vinte e cinco graus e meio, no qual rio
entram navios da costa, e se navega por ele acima algumas léguas,
e é muito capaz para se poder povoar, e para se fazer muita conta
dele, por ser mui abastado de pescado e marisco, e por ter muita
caça, cuja terra é muito fértil, na qual se dão muitos mantimentos
dos naturais, e se dará tudo o que lhe plantam, toda a criação de
gado que lhe lançarem, por ter grande cômodo para isso. Tem o
Rio da Cananeia na boca uma abra grande, no meio da qual, bem
defronte do rio, tem uma ilha, e nesta abra está grande porto e
abrigada para os navios, onde podem estar seguras naus de todo o
porte, porque tem fundo para isso.