Segunda parte - Capítulo LXXXIII
Em que se relata a diversidade que há de papagaios.
Ajuruaçus são uns papagaios grandes todos verdes, que têm tamanho corpo como um adem, os quais se fazem mui domésticos
em casa, onde falam muito bem; estes, no mato, criam em ninhos,
em árvores altas; são muito gordos e de boa carne, e muito saborosos; mas hão de ser cozidos.
Ajerueté são uns papagaios verdadeiros, que se levam à
Espanha, os quais são verdes, e têm os encontros das asas vermelhos, e o toucado da cabeça amarelo; criam nas árvores, em
ninhos, e comem a fruta delas, de que se mantêm; cuja carne se
come; e para se amansarem tomam-nos novos.
Há outros papagaios, a que chamam curicas, que são todos verdes, e não têm mais que o só queixo amarelo, e algumas penas nas
asas encarnadas; os quais criam em ninhos nas árvores, de onde
fazem grande dano nas searas de milho; tomam-nos novos para se
amansarem em casa, onde falam muito bem; cuja carne comem
os que andam pelo mato, mas é dura.
Maracaná é um pássaro verde todo, como papagaio, tem a cabeça toucada de amarelo, o bico grosso e sobre o grande, e voltado
para baixo, o rabo comprido e vermelho; criam-se em árvores altas, em ninhos; e amansam-se alguns, porque falam, cuja carne é
dura, mas come-a quem não tem outra melhor.
Há uns passarinhos todos verdes, que têm os pés e bico branco, a que os índios chamam tuim; têm o bico revolto para baixo,
e criam em árvores, em ninhos de palha, perto do mar, e não os
há pelo sertão; os quais andam em bandos; tomam-nos em novos
para se criarem em casa, onde falam muito claro e bem, e têm graça no que dizem.
Há outros pássaros todos verdes, maiores que os tuins, que têm
o bico branco voltado, toucado de amarelo e azul, que criam em
árvores, em ninhos, de onde se tomam em novos, para se criarem
em casa, onde falam também; estes andam em bandos, destruindo
as milharadas.