Segunda parte - Capítulo LXXXIII Tratado descritivo do Brasil em 1587 · Capítulo 158 de 271
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Segunda parte - Capítulo LXXXIII

Em que se relata a diversidade que há de papagaios.

Ajuruaçus são uns papagaios grandes todos verdes, que têm tamanho corpo como um adem, os quais se fazem mui domésticos

em casa, onde falam muito bem; estes, no mato, criam em ninhos,

em árvores altas; são muito gordos e de boa carne, e muito saborosos; mas hão de ser cozidos.

Ajerueté são uns papagaios verdadeiros, que se levam à

Espanha, os quais são verdes, e têm os encontros das asas vermelhos, e o toucado da cabeça amarelo; criam nas árvores, em

ninhos, e comem a fruta delas, de que se mantêm; cuja carne se

come; e para se amansarem tomam-nos novos.

Há outros papagaios, a que chamam curicas, que são todos verdes, e não têm mais que o só queixo amarelo, e algumas penas nas

asas encarnadas; os quais criam em ninhos nas árvores, de onde

fazem grande dano nas searas de milho; tomam-nos novos para se

amansarem em casa, onde falam muito bem; cuja carne comem

os que andam pelo mato, mas é dura.

Maracaná é um pássaro verde todo, como papagaio, tem a cabeça toucada de amarelo, o bico grosso e sobre o grande, e voltado

para baixo, o rabo comprido e vermelho; criam-se em árvores altas, em ninhos; e amansam-se alguns, porque falam, cuja carne é

dura, mas come-a quem não tem outra melhor.

Há uns passarinhos todos verdes, que têm os pés e bico branco, a que os índios chamam tuim; têm o bico revolto para baixo,

e criam em árvores, em ninhos de palha, perto do mar, e não os

há pelo sertão; os quais andam em bandos; tomam-nos em novos

para se criarem em casa, onde falam muito claro e bem, e têm graça no que dizem.

Há outros pássaros todos verdes, maiores que os tuins, que têm

o bico branco voltado, toucado de amarelo e azul, que criam em

árvores, em ninhos, de onde se tomam em novos, para se criarem

em casa, onde falam também; estes andam em bandos, destruindo

as milharadas.

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